Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 18,9-14)
Ideia principal: Deus prefere o pecador que reconhece a sua indignidade e se dispõe a abraçar a salvação que lhe é oferecida, ao “justo” que se apresenta diante de Deus e dos irmãos cheio de soberba e arrogância.
– Neste Domingo um duplo ensinamento de Jesus: sobre a oração e sobre a justiça, a partir de uma parábola em que os protagonistas são um fariseu e um publicano. No sec II a.C., quando Antíoco Epifanes IV tenta a helenização forçada da Palestina, tem de enfrentar o heroico Matatias e os hassidim, homens “piedosos” (cf. 1 Mac 2,42). Destes, os fariseus, defensores intransigentes da Lei, se consideram sucessores. Os “publicanos”, que os fariseus – e o povo – desprezam, cobravam impostos para o governo imperial romano.
– Esta parábola, própria de Lucas, ilustra um ensinamento sobre a oração… O fariseu dá graças a Deus por ser um homem bom; compara-se aos outros e despreza o publicano… tudo errado nesta oração centrada nele próprio. O publicano reconhece-se pecador; dirige-se a Deus o único que lhe pode perdoar.
– Contudo, é, sobretudo, um ensinamento sobre a justiça, como fica expresso logo no início da parábola, dirigida “a alguns que se consideravam justos…” (v.9). O fariseu é o vivo retrato de um homem justo… O publicano, pela sua situação, reconhece-se incapaz de passar a ser honesto… Só Deus o pode justificar, e o faz gratuitamente. A oração de ambos é escutada, mas só o publicano é justificado. O fariseu, não.
Rezar a Palavra e contemplar o mistério
Senhor Jesus, publicano sou eu!!!, não posso contar com quaisquer méritos (que, aliás, não existem). Diante de Deus me apresento de mãos vazias… tudo o tenho e algum bem que faço, Lhe pertence e por Ele o faço. Sou “servo inútil”! Apenas faço o devia fazer (cf. Lc 17, 7-10). Sei, Senhor Jesus, que só o Pai me pode salvar, derramando sobre mim tantas graças que me alcançaste por Tua entrega na Cruz! Glória a Ti! Amem.
EVANGELHO – Lucas 18,9-14
Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola
para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:
«Dois homens subiram ao templo para orar;
um era fariseu e o outro publicano.
O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças
por não ser como os outros homens,
que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana
e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’.
O publicano ficou a distância
e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu;
Mas batia no peito e dizia:
‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’.
Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não.
Porque todo aquele que se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado».