Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 16, 19-31)
Ideia principal: A Palavra de Deus – Moisés e os profetas – é suficiente para quem quer escutar; por isso, hoje somos exortados a acolher, pelos ouvidos e com o coração, a Palavras do Senhor.
– No horizonte já se vislumbra Jerusalém. A Cruz é o termo deste “caminho” que, Jesus, acompanhado pelos discípulos, encetou na Galileia. Urge preparar os escolhidos que hão de dar continuidade à missão do Mestre. O ensinamento deste domingo parte de uma “história” exclusiva de Lucas. Um homem rico é condenado, não por ser mau, mas por ser rico, isto é, por viver no seu mundo de luxo e bem-estar, indiferente a todos aqueles com quem deveria partilhar os bens que considerava seus, mas que, de facto, não eram.
– Além do homem rico – que não tem nome… – há um outro homem: o pobre Lázaro (Lázaro, significa: “Deus ajuda”). Um rico e um pobre: Lucas gosta destas antíteses… A história contem um duplo ensinamento: O juízo de Deus recompensa os justos ou os pobres; e pune os malvados ou os ricos.
– De novo o tema dos banquetes… Os banquetes do rico e o banquete eterno, aonde os anjos conduziram Lázaro. Lázaro está junto de Abraão, como, na última Ceia, João está perto de Jesus (Jo. 13,23). Um abismo insuperável, criado pelo comportamento do rico na terra, separa o rico do pobre. O juízo é irreversível, e o rico é condenado a permanecer num local de onde não poderá mais sair nem comunicar. Ai de vós, os ricos!
Rezar a Palavra e contemplar o mistério
Senhor Jesus, nesta história do rico e do pobre Lázaro, não falas daquilo que nos espera na vida futura… Antes me ensinas a viver, aqui e agora, de maneira a que minha vida tenha sentido. Senhor, não me deixes cair na indiferença e liberta-me de todo o egoísmo. Atento aos meus irmãos, partilhe com eles o que me deste para administrar. A Tua Palavra, Senhor, é luz na minha vida! Louvado sejas! Amem.
EVANGELHO – Lucas 16,19-31
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura
e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias.
Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas.
Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães
vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão.
Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos,
estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado.
Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim.
Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque
a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe:
‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males.
Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado.
Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse
passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’.
O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna
– pois tenho cinco irmãos – para que os previna, a fim de que não venham
também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas.
Que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles,
arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés
nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’.